ENTRE SILÊNCIOS E CEGUEIRAS
UMA OUTRA MARGEM
Palavras-chave:
Águas, Silêncio, Cegueira, TravessiaResumo
A proposta para este artigo é uma análise de dois contos da literatura de língua portuguesa, a saber: “A terceira margem do rio”, do brasileiro Guimarães Rosa, e “O pescador cego”, do moçambicano Mia Couto. O viés que teceremos para tanto, perpassa, sobretudo, pelas águas do rio e do mar, onde se desenvolvem as narrativas e, contempla o silêncio e cegueira como ponto de contato entre as duas obras. Busca-se, assim, observar como se dão as transformações das personagens que, diante do mistério, do inexplicável e do obscuro, experimentam uma nova identidade que atravessa para uma outra margem, ainda por ser explorada dentro de si. Os estudos de Orlandi, Chauí, Wisnik, Bosi, Bachelard, dentre outros, servirão como apoio nessa travessia.
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