LIVROS, MEMÓRIA E CENSURA

UMA LEITURA DE “BIBLIOTECA MALDITA”, DA ARTISTA MARILÁ DARDOT

Autores

  • Deborah Walter de Moura Castro Universidade Federal de Alfenas

Palavras-chave:

silêncio, memória, esquecimento, Biblioteca Maldita, Marilá Dardot

Resumo

Em diferentes períodos, livros foram recolhidos ou queimados quase sempre como um ato ritualístico de ameaça ao pensamento de um povo, uma forma quase teatral de afronta à memória ou uma possibilidade metafórica de matar ou anestesiar culturas e sociedades. Desde o final do século 20, o universo artístico viu proliferar produções que tratam da escrita, dos livros, das bibliotecas e ruínas suscitando uma simbologia monumental, como uma metáfora das memórias e esquecimentos. Em 2017, a artista brasileira Marilá Dardot expôs a obra/instalação “Biblioteca Maldita”, composta de 15 livros escritos por mulheres proibidos em Portugal durante o regime ditatorial do Estado Novo. O objetivo deste trabalho é propor uma leitura da obra de Dardot a partir da presença dos livros, da escrita e de conceitos como silêncio, memória e esquecimento.

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Publicado

30-11-2025

Como Citar

Castro, D. W. de M. (2025). LIVROS, MEMÓRIA E CENSURA: UMA LEITURA DE “BIBLIOTECA MALDITA”, DA ARTISTA MARILÁ DARDOT. Revista (Entre Parênteses), 15(1). Recuperado de https://publicacoes.unifal-mg.edu.br/revistas/index.php/entreparenteses/article/view/2712

Edição

Seção

DOSSIÊ "MÍDIA, IMAGEM E MEMÓRIA"