PROBLEMAS DO REALISMO
AS DESCRIÇÕES DE GUSTAVE FLAUBERT E EÇA DE QUEIROZ
Palavras-chave:
Descrição, Realismo, ObjetividadeResumo
O objetivo deste artigo é realizar uma análise comparada do primeiro capítulo de Madame Bovary (Gustave Flaubert) e de Os Maias (Eça de Queiroz). A partir da retomada dos trabalhos de Philipe Hamon (1977), Boris Tomachévski (2013) e Mario Vargas Llosa (1979) (dentre outros), se fará um levantamento das principais características do realismo, procurando demonstrar como os princípios fundamentais desta estética (pretensão de alcançar a “realidade objetiva”, adequação entre “signo” e “coisa”) acabaram por criar uma contradição a qual todos os romancistas desta corrente precisam resolver na escrita de suas obras. Visto que este problema envolve a maneira como as descrições são integradas na trama, o presente trabalho buscará defender que estes momentos de “desaceleração” da narrativa não são inúteis – ao contrário, eles talvez sejam o que de mais importante há nestas obras. Os resultados obtidos apontam que, apesar de estarem lidando com a mesma problemática, Gustave Flaubert e Eça de Queiroz encontraram maneiras diferentes de resolvê-la: enquanto o primeiro aposta na coesão e unidade temática, o segundo decide por fragmentar esta mesma unidade (contudo, ainda mantendo um todo coeso).
Referências
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