ENTRE O SOLO PEDREGOSO E SANGRENTO E A ANIQUILAÇÃO DO SUJEITO
O HORROR NEORREGIONALISTA EM "ASSIM NA TERRA COMO EMBAIXO DA TERRA" (2017), DE ANA PAULA MAIA
Palavras-chave:
Horror neorregionalista, Plurivocalismo, Brasil Profundo, Ana Paula MaiaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar a configuração do horror neorregionalista na obra Assim na Terra como Embaixo da Terra (2017), de Ana Paula Maia. A narrativa apresenta um espaço ambientado em uma colônia penal isolada, construída sobre um antigo cemitério de escravizados, é explorada como metáfora da violência e descarte de corpos no Brasil contemporâneo, em específico, no chamado “Brasil profundo”. A metodologia desta pesquisa está centrada no termo-chave Plurivocalismo Bakhtiniano, como forma de agrupar um conjunto de vozes que entram em confronto dentro da narrativa. Ademais, nos apoiamos nas reflexões de Bakhtin (2002), com foco na polifonia e dialogismo na obra. Sobre a estética do horror, recorremos à Carroll (1990) e Terêncio (2022). Enquanto à fundamentação crítica sobre o espaço e sociedade, dialogamos diretamente com as perspectivas de Harvey (2005), Brito (2016) e Candido (2023). Como resultados, concluímos que, a configuração do horror neorregionalista, manifesta-se na obra de Maia como uma crítica à sociedade que desumaniza o indivíduo e o converte em refugo, evidenciando que, no “solo pedregoso” do Brasil Profundo, que é um território de exceção, no qual o passado escravocrata e a lógica capital convergem para aniquilação física e ontológica do sujeito marginalizado, acontece a desumanização dos sujeitos por meio do trabalho.
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