A (DES)CONEXÃO DE HIRAYAMA EM PERFECT DAYS (WIM WENDERS, 2023)
CINEMA COMO REPRESENTAÇÃO DE ENFRENTAMENTO AOS DILEMAS CONTEMPORÂNEOS
Palavras-chave:
cinema, obsolescência, nostalgia analógica, conectividade, sociedade do cansaçoResumo
O presente artigo visa analisar a construção do personagem Hirayama, protagonista do filme Perfect Days (2023), dirigido por Wim Wenders, considerando o cinema como representação de enfrentamento aos dilemas contemporâneos. Na Sociedade do Cansaço (HAN, 2015), os indivíduos são induzidos a buscar cada vez mais o desempenho, em uma lógica de aceleração e produtividade, além de estarem intensamente conectados e preocupados com a busca pela visibilidade (SIBILIA, 2016). Baseando-se nos estudos de Thomas Elsaesser (2018), em Cinema como arqueologia das mídias, observa-se como a relação com as mídias são parte essencial dessa construção audiovisual. No filme, a poética da obsolescência é marcante no estilo de vida do personagem, que utiliza fitas de áudio para ouvir música e uma câmera analógica para fotografar, indicando uma desconexão com a atualidade midiática. Essa nostalgia analógica, termo citado por Cisneros (2019), reforça um resgate de formas e configurações tecnológicas do passado em construções audiovisuais do presente, gerando novas significações. Ademais, a sequencialidade (WENDERS, 1990) e a iluminação (AUMONT, 2004) são recursos imprescindíveis para compreender a construção das cenas, revelando um personagem que, embora desconectado digitalmente, está profundamente conectado ao presente, não preocupado com o desempenho, mas com a contemplação.
Referências
AUMONT, Jacques. Luz e cor: o pictórico no fílmico. In: AUMONT, Jacques. O olho interminável: Cinema e pintura. Tradução de Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac Naify, 2004. p. 167-200.
CISNEROS, James. Nostalgia das mídias no cinema latino-americano contemporâneo. In: ARBEX, Márcia; VIEIRA, Miriam de Paiva; DINIZ, Thaïs Flores Nogueira (orgs.). Escrita, som, imagem: perspectivas contemporâneas. Belo Horizonte: Fino Traço, 2019. p. 15-28.
ELSAESSER, Thomas. Cinema como arqueologia das mídias. São Paulo: Sesc Edições, 2018.
HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. 3ª. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.
METZ, Christian. A significação no cinema. Tradução e posfácio de Jean-Claude Bernardet. São Paulo: Perspectiva, 1972.
PERFECT DAYS. Direção: Wim Wenders. Produção: Takuma Takasaki. Japão, Alemanha: 02 PLAY, 2023. (123 min.).
SIBILIA, Paula. O show do Eu: a intimidade como espetáculo. 1ª ed. Rio de Janeiro: Contraponto, 2016.
WENDERS, Wim. A lógica das imagens. Tradução: Maria Alexandra A. Lopes. Rio de Janeiro: Edições 70, 1990.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Os direitos autorais para trabalhos científicos são do autor, com direitos de primeira publicação para a revista. Como esta é uma revista eletrônica de acesso público, os artigos são de uso gratuito, em aplicações educacionais e não-comerciais, devendo ser observada a legislação sobre direitos autorais, em caso de utilização dos textos publicados nesta revista.
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado