Uma filosofia da concretude
Resumo
A resenha da obra "Homens da Tarde" (2019), de Mário Ferreira dos Santos, apresenta uma análise profunda que vai além de uma leitura meramente literária. A obra é interpretada como um ensaio filosófico inserido no projeto da "Filosofia Concreta", desenvolvida pelo autor. A narrativa acompanha três personagens simbólicos — Pulsen, Vítor e Pitágoras — que representam tipos humanos e visões de mundo, engajando-se em reflexões existenciais e espirituais. Pulsen encarna o buscador introspectivo, Vítor simboliza a juventude iludida pelo amor idealizado, e Pitágoras representa o pensador que abandona a fé tradicional em busca de uma espiritualidade fundamentada na realidade concreta. A crítica à alienação do homem moderno, ao funcionalismo público, ao consumismo e à perda de valores transcendentais permeia a obra. O título sugere uma metáfora do declínio civilizacional — a "tarde" como crepúsculo dos valores ocidentais. O autor propõe como saída uma ontologia concreta, que concilie razão, fé e espiritualidade. A obra, portanto, deve ser lida como um tratado filosófico dramatizado, e não como ficção convencional, convocando o leitor à reflexão sobre o sentido da existência e os fundamentos da cultura.
Referências
SANTOS, Mário Ferreira dos. Curso de Oratória e Retórica. 3. ed. São Paulo: Livraria e editora Logos, 1961a.
________________. Filosofia Concreta (Tomo 1). 3. ed. São Paulo: Livraria e editora Logos, 1961b.
________________. Homens da Tarde. São Paulo: É Realizações, 2019.
________________. Práticas de oratória. 9. ed. São Paulo: Livraria e editora Logos, 1962.