SINGULARIDADE E COERÇÃO NO RECORTE DAS VOZES: O GÊNERO REDAÇÃO DE VESTIBULAR EM ANÁLISE

Autores

  • Vanda Mari Trombetta Professora na Universidade Federal da Fronteira do Sul.

DOI:

https://doi.org/10.32988/rep.v2i6.815

Palavras-chave:

singularidade, dialogismo, gênero discursivo.

Resumo

Neste estudo, pretende-se investigar indícios que permitam refletir sobre duas questões: o gênero discursivo traz coerção às vozes recortadas do já-dito e em que medida o sujeito pode estabelecer possíveis singularidades a esse recorte? Concebe-se a partir da obra de Bakhtin e o Círculo que as atividades do sujeito estão condicionadas aos gêneros do discurso e a noção de singularidade está vinculada ao espaço histórico-social. É na corrente da enunciação – o dialogismo – que o sujeito organiza a escrita. O corpus é constituído por 40 redações de vestibulandos, do ano 2006 do vestibular da Fuvest, com o tema trabalho. Com base no paradigma indiciário, o estudo busca indícios nas redações que permitam caracterizar as coerções do gênero e a singularidade do sujeito pelas marcas construídas em seu diálogo com o já-dito. As análises apontam que o autor-criador sofre as coerções do gênero redação de vestibular, recortando vozes específicas de esferas mais valoradas pela própria constituição desse gênero, mas, também, afetado pelo momento histórico em que enuncia, recorta vozes marcadas pelas condições de seu tempo, de sua realidade.

Biografia do Autor

Vanda Mari Trombetta, Professora na Universidade Federal da Fronteira do Sul.

Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo

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Publicado

27-06-2018

Como Citar

Trombetta, V. M. (2018). SINGULARIDADE E COERÇÃO NO RECORTE DAS VOZES: O GÊNERO REDAÇÃO DE VESTIBULAR EM ANÁLISE. Revista (Entre Parênteses), 6(2). https://doi.org/10.32988/rep.v2i6.815

Edição

Seção

Artigos - Estudos Linguísticos