LÍNGUA E LITERATURA: DISPUTAS DISCURSIVAS NOS CONTEXTOS DE FORMAÇÃO DOCENTE

  • Elíria Fugazza Universidade Federal de Alfenas / Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: relação língua/literatura;, formação docente;, formações discursivas;, campos epistemológicos;, Análise do Discurso;

Resumo

Com base em uma revisão bibliográfica e teórica advinda de estudos em Análise do Discurso (BAKHTIN, 2006; AUTHIER-REVUZ, 2004; MAINGUENEAU, 2013; FOUCAULT, 2014a; SERRANI, 1997) e da teoria dos campos de Bourdieu (1976, 2002), discutimos, neste trabalho, o caráter dialógico e heterogêneo da língua e do discurso, bem como a natureza fragmentada e contraditória dos sujeitos e sentidos. Além disso, almejamos problematizar os movimentos de aproximação e/ou cisão entre as formações discursivas e os campos epistemológicos relacionados aos estudos linguísticos e literários, a partir de Brait (2000) e Fiorin (2008), considerando a história dos processos de separação de ambos os saberes. Concluímos, nesse sentido, apontando tensões e imbricações que correspondem a um movimento simultâneo de reprodução da cisão língua vs. literatura e de diálogo entre esses campos nos contextos de formação docente em língua estrangeira.

Biografia do Autor

Elíria Fugazza, Universidade Federal de Alfenas / Universidade Federal do Rio de Janeiro
Graduada em Letras - Português/Espanhol pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013). Mestre em Letras Neolatinas pela UFRJ (2016). Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas da UFRJ. Professora Assistente do Instituto de Ciências Humanas e Letras e coordenadora da área de Letras Espanhol do PIBID da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG).

Referências

AUTHIER-REVUZ, J. Entre a transparência e a opacidade: um estudo enunciativo do sentido. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.

BAGNO, M. Curso de Letras? Pra quê?. In: ENCONTRO BRASILIENSE DE ESTUDANTES DE LETRAS, 7., 2012, Brasília. Conferência de abertura proferida em 22 nov. 2012. Disponível em: . Acesso em 13 out. 2014.

BAKHTIN, M. Estudo das ideologias e filosofia da linguagem. In: ______. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2006.

BOURDIEU, P. Campo de poder, campo intelectual. Buenos Aires: Editorial Montressor; Jungla Simbólica, 2002.

______. Homo academicus. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2011a.

______. Le champ scientifique. Actes de la recherche en sciences sociales, Paris, n. 1-2, 1976.

______. O campo político. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 5, jan./jul. 2011b, p. 193-216. Disponível em: . Acesso em: 07 ago 2015.

BRAIT, B. Língua e literatura: uma falsa dicotomia. Revista ANPOLL, Florianópolis, n. 8, p. 187-206, jan./jun. 2000. Disponível em: . Acesso em: 30 dez. 2014.

CORACINI, M. J. Sujeito, identidade e arquivo: entre a impossibilidade e a necessidade de dizer(-se). In: ______. A celebração do outro: arquivo, memória e identidade. Campinas: Mercado de Letras, 2007.

COSSON, R. A literatura e o mundo. In: ______. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2014.

COSTA, M. et al. Letramento literário e formação do professor: o ensino de literatura no meio universitário. Revista Entreletras, Araguaína, n. 3, 2º sem. 2011. Disponível em: . Acesso em: 22 dez. 2014.

EAGLETON, T. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

FIORIN, J. L. Linguagem e interdisciplinaridade. Alea, Rio de Janeiro v. 10, n. 1, jan./jun., 2008, p. 29-53. Disponível em: . Acesso em: 03 jan. 2015.

FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2014a.

______. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 2012.

______. História da sexualidade: a vontade de saber. 1. São Paulo: Paz e Terra, 2014b.

______. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2013.

LILLIS, T. Student writing as “academic literacies”: drawing on Bakhtin to move from critique to design. Language and education, United Kingdon v. 17, n. 3, p. 192-207, 2003.

MAINGUENEAU, D. Análise de textos de comunicação. São Paulo: Cortez, 2013.

______. Discurso literário. São Paulo: Contexto, 2012.

MARCUSCHI, L. A. A formação intelectual do estudante de Letras. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE LETRAS, 25., 2004, Florianópolis. Anais... Florianópolis: UFSC, 2004.

MARTELOTTA, M. (Org.). Manual de linguística. São Paulo: Contexto, 2008.

ORLANDI, E. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 2012.

ROJO, R. Gêneros do discurso e gêneros textuais: questões teóricas e aplicadas. In: MEURER, J. L. et al. (Org). Gêneros: teoria, métodos, debates. São Paulo: Parábola, 2005.

______. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. São Paulo: SEE; CENP, 2004.

SERRANI, S. La noción de cultura, la lengua y los Estudios Hispánicos: enfoque discursivo-cultural de un poema de Benedetti. Intersecciones, São Paulo, n. 2, 1° sem./2014. Disponível em: . Acesso em: 18 out. 2014.

________. Singularidade discursiva na enunciação em segundas línguas. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, v. 38, p. 109-120, jan./jun. 2000. Disponível em: . Acesso em: 29 ago. 2013.

______. Formações discursivas e processos identificatórios na aquisição de línguas. DELTA, São Paulo, v. 13 n. 1, fev. 1997. Disponível em: . Acesso em: 30 ago. 2013.

ZILBERMAN, R. A leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Contexto, 1991.
Publicado
08-09-2020
Como Citar
FugazzaE. (2020). LÍNGUA E LITERATURA: DISPUTAS DISCURSIVAS NOS CONTEXTOS DE FORMAÇÃO DOCENTE. Revista (Entre Parênteses), 9(1). https://doi.org/10.32988/rep.v1n9.1125
Seção
Dossiê Ensino de Línguas Estrangeiras/Adicionais e suas Literaturas