A Sociedade de Risco na Formação Espacial Amazônica
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20526203Palavras-chave:
Sociedade de risco, Economia ecológica, Totalidade espacial, Amazônia, EstadoResumo
Este artigo tem como objetivo analisar de que maneira a teoria da sociedade de risco pode ser reinterpretada à luz da totalidade espacial e dos limites biofísicos da economia, com ênfase na formação espacial amazônica. Metodologicamente, trata-se de ensaio teórico-conceitual, de abordagem qualitativa, baseado em revisão integrativa de literatura e análise temática, articulando contribuições de Ulrich Beck, Milton Santos e da economia ecológica. Como resultado, demonstra-se que os riscos contemporâneos não são apenas efeitos laterais do progresso técnico, mas produtos territorialmente diferenciados da modernização, mediados por desigualdade social, seletividade espacial, subpolítica e fragilidade institucional. Conclui-se que, na Amazônia, a modernização periférica intensifica a concentração dos benefícios econômicos e a socialização dos danos socioambientais, exigindo formas de regulação, planejamento e desenvolvimento orientadas por justiça distributiva, escala sustentável, proteção dos bens comuns e direitos humanos substantivos.
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