A Distribuição Territorial da Agroecologia no Brasil: uma Proposta de Organização dos Sistemas Sustentáveis em Biodistritos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.17258734

Palavras-chave:

Agroecologia, Biodistritos, Redes territoriais, Agricultura orgânica, Políticas públicas

Resumo

Este artigo analisa a viabilidade de adaptação do conceito europeu de biodistritos à realidade brasileira, tomando como referência as redes agroecológicas em funcionamento. Parte-se de uma abordagem teórico-conceitual baseada na economia do espaço, agroecologia e governança territorial, destacando a articulação entre produtores, consumidores e instituições locais. Utiliza-se um estudo de caso empírico com dados de 19 municípios do estado do Ceará, onde se aplicou um modelo de regressão logística binária para estimar a probabilidade de formação de redes agroecológicas. Os resultados indicam que variáveis organizacionais, como a presença de ONGs e agricultores orgânicos, influenciam mais que fatores estruturais como renda ou área agrícola. A análise reforça a importância do capital social e da capacidade institucional na construção de políticas territoriais voltadas à agroecologia, sugerindo que a replicação de biodistritos no Brasil exige adaptações metodológicas e institucionais.

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Publicado

03-10-2025

Como Citar

Rangel, L. E. P., & Nogueira, J. M. (2025). A Distribuição Territorial da Agroecologia no Brasil: uma Proposta de Organização dos Sistemas Sustentáveis em Biodistritos. Cadernos De Estudos Interdisciplinares, 7(3), e732523. https://doi.org/10.5281/zenodo.17258734

Edição

Seção

Seção Temática Especial: 63º Congresso da Sober - “Tecnologias, Energias Renováveis e Financiamento Verde no Agronegócio”