VIOLÊNCIA SIMBÓLICA, ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL E LITERATURA: A RELAÇÃO ORDEM/DESORDEM EM “DEDO-DURO”, DE JOÃO ANTÔNIO

  • L. d. O LOPES Universidade Federal de São Carlos
Palavras-chave: Violência social, Desordem social, João Antônio

Resumo

No “Corpo-a-corpo com a vida” (1975), considerado o manifesto de sua literatura, João Antônio exalta a necessidade de nossas obras lidarem com o povo e com o fato social brasileiro. Para ele, a literatura brasileira deveria tratar do levante e da melhoria desse povo, sendo este o seu principal motivo de ser. Partindo deste pressuposto, analisamos o conto “Dedo-duro” (1982) pretendendo demonstrar, segundo as premissas expostas por Jessé Souza (2009), na primeira e na segunda história do texto (PIGLIA, 2004), uma possível manifestação da violência simbólica que afeta e estratifica nossas classes sociais. Argumentamos que se aplicarmos uma releitura dos conceitos de ordem e desordem (CANDIDO, 1970) seremos capazes de enxergar, no texto literário, a manifestação dessa violência simbólica em atuação para definir a posição social das personagens; e, analogicamente, também a de suas representantes na vida fora dos livros. Essa prática, se comprovada, torna interno um elemento que, externo ao texto, permite que a sociedade brasileira continue organizada segundo a lógica social que ajuda a explicar a manutenção da desigualdade social brasileira. Essa lógica, uma vez interna à obra, atua no texto e em sua organização estética, fazendo do movimento entre ordem e desordem social sua característica principal.

Biografia do Autor

L. d. O LOPES, Universidade Federal de São Carlos
Doutorando e Mestre em Estudos de Literatura pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura, PPGLit, da Universidade Federal de São Carlos, UFSCar. Jornalista graduado pelo Centro Universitário FIAM-FAAM.

Referências

ANTÔNIO, João. Corpo-a-corpo com a vida. In: ______. Malhação do Judas Carioca. Rio de Janeiro: Record, 1975. p. 141-151.

______. Dedo duro. In: ______. Contos reunidos. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

AUTOR, 2017.

BOURDIEU, P. Sobre o poder simbólico. In: ______. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007. p. 7-16.

CANDIDO, Antonio. Na noite enxovalhada. In: ANTÔNIO, João. Contos reunidos. São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 577-582

______. A nova narrativa. In: A educação pela noite e outros ensaios. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2006. p. 241-260.

______. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. São Paulo: T. A. Queiroz, 2000.

______. Dialética da malandragem. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 8, p. 67-89, 1970.

______. et al. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 2005.

CORTÁZAR, Julio. Do conto breve e seus arredores. In: ______. Valise de Cronópio. Rio de Janeiro: Record, 2013. p. 227-237.

LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O foco narrativo (ou A polêmica em torno da ilusão). São Paulo: Ática, 1985.

ORNELLAS, Clara Ávila. Aspectos iniciais da trajetória literária de João Antônio, Via Litterae, v. 3, p. 145-149, 2011.

PIGLIA, Ricardo. Formas breves. São Paulo: Cia das Letras, 2004.

POE, Edgar Allan. Filosofia da composição. Poemas e Ensaios. São Paulo: Globo, 1999. Disponível em: http://paginapessoal.utfpr.edu.br/mhlima/FILOSOFIA%20DA%20COMPOSICaO%20Poe.pdf/view. Acesso em: 12 abr. 2018.

SCHWARZ, Roberto. “Pressupostos, salvo engano, de “Dialética da malandragem”. In: ______. Que horas são. São Paulo: Companhia das Letras, 1979. v. 2, p. 129-155.

SILVA, J. C. B.. João Antônio e seu projeto literário: corpo-a-corpo com o Brasil? In: XI SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA DA LITERATURA, 11., 2015, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: EDIPCURS, 2015. p. 1-9.

SOUZA, Jessé. A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: editora UFMG, 2009.

______. A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: LeYa, 2015.

Publicado
08-05-2019
Como Citar
LOPESL. d. O. (2019). VIOLÊNCIA SIMBÓLICA, ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL E LITERATURA: A RELAÇÃO ORDEM/DESORDEM EM “DEDO-DURO”, DE JOÃO ANTÔNIO. Revista (Entre Parênteses), 7(2). https://doi.org/10.32988/rep.v2i7.789
Seção
Dossiê Literatura e Subalternidade