A linguagem das bulas de medicamentos produzidos no Brasil: uma análise linguística do conteúdo e da forma

Palavras-chave: Linguagem e forma. Linguagem e conteúdo informacional. Sociolinguística. Semântica de Contextos e Cenários.

Resumo

Na formação do conhecimento, língua e cultura trabalham através de integrações semânticas, permitindo a compreensão do conteúdo informacional da linguagem. Os medicamentos, bens de saúde, que servem para curar, prevenir, aliviar, tratar ou para fins de diagnóstico, também são bens de cultura. Eles apresentam bulas, um dos diversos gêneros textuais, que são documentos técnico-científicos que contém informações sobre os medicamentos. Várias são as críticas em relação ao texto e à linguagem apresentados nas bulas, a despeito das melhorias implementadas ao longo dos anos. Este trabalho traz uma pequena análise textual a esse respeito, principalmente utilizando como referência teórica a Semântica de Contextos e Cenários – SCC e conclui que as bulas ainda estão muito distantes de oferecer a informação necessária ao correto uso do medicamento para o usuário médio brasileiro.

Biografia do Autor

Douglas Martelli e Silva, Universidade Federal de Alfenas

Graduado em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Alfenas 92019), graduado em Farmácia pela Universidade José do Rosário Vellano (2007), Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal de Alfenas (2011).

Celso Ferrarezi Junior, Universidade Federal de Alfenas

Doutor em Linguística (UNIR), Mestre em Linguística (Unicamp), graduado em Letras (UNIR). Fez estágio pós-doutoral na Unicamp (2006) e na UFMG (2016). Atualmente é professor nos Cursos de Letras e no Mestrado em Educação da Unifal-MG. É autor de vários livros e artigos. Tem interesse na área de Semântica e Ensino de Língua Materna.

Referências

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Publicado
30-06-2021
Como Citar
SilvaD. M. e, & Ferrarezi JrC. (2021). A linguagem das bulas de medicamentos produzidos no Brasil: uma análise linguística do conteúdo e da forma. Revista (Entre Parênteses), 10(1), e021003. https://doi.org/10.32988/rep.v10n1.1565