A DENÚNCIA DO FEMINICÍDIO POR SELVA ALMADA E FLORITA ALMADA

O REAL E O FICCIONAL

  • MARIA CELESTE SOARES RIBEIRO Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Palavras-chave: Feminicídio, Modos de narrar, Literatura, Selva Almada, Bolaño

Resumo

Chicas muertas, a não ficção de Selva Almada, e 2666, a ficção de Roberto Bolaño, trazem histórias de feminicídios impunes. Além disso, os livros têm em comum a presença de videntes auxiliando a denúncia dos crimes e duas “Almadas” relatando os acontecimentos: Selva Almada na Argentina e Florita Almada, no México. O presente artigo tem por finalidade analisar o modo de denunciar os feminicídios na ficção e no relato de não ficção mencionados, bem como ponderar sobre o efeito de sentido em cada um deles. Alternando lembranças próprias com excertos de laudos de necropsia e processos judiciais, entre outros dados, a autora argentina apresenta informações que permitem ao leitor conhecer o que se passou e perceber os crimes como feminicídios. Por meio da vidência e do sentimento de sororidade de Florita, Bolaño denuncia os assassinatos a um leitor que pode ou não os relacionar com a realidade, a depender do seu próprio conhecimento. Ainda assim, ambos podem ser considerados como uma forma de denúncia e de alerta para a persistência da violência contra mulheres na atualidade.

Palavras-chave: Feminicídio; modos de narrar; literatura; Selva Almada; Bolaño.

Biografia do Autor

MARIA CELESTE SOARES RIBEIRO, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Graduada em Letras - português e espanhol pela Universidade Federal de São Paulo (2016) e mestranda em Estudos Literários na mesma universidade. Tem experiência na área de ensino de português e espanhol. Atualmente é professora de espanhol na rede estadual do Ceará. É pesquisadora de literatura relacionada às questões feministas, em especial à violência de gênero. Também se dedica ao estudo da literatura contemporânea argentina, particularmente a produzida por mulheres.

Referências

ALMADA, Selva. Chicas muertas. 4 ed. Buenos Aires: Literatura RandonHouse, 2016.

AMAR SÁNCHEZ, Ana María. El relato de los hechos: Rodolfo Walsh testimonio y escritura. Rosário: Beatriz Viterbo Editora, 1992.

BOLAÑO, Roberto. 2666. Barcelona: Editorial Anagrama, 2004. Disponível em: https://www.academia.edu/4690366/Bolano_2666https://www.academia.edu/4690366/Bolano_2666.Acesso em 20 jan. 2021.

HANSEN, João Adolfo. Por que ensinar literatura. In: CECHINEL, André. O que significa ensinar literatura. Florianópolis: Editora da UFSC, 2017. p.141-67.

SEGATO, Rita Laura. Las estructuras elementales de la violencia. Ensayos sobre género entre la antropologia, el psicoanálisis y los derechos humanos. 2ª. ed. Buenos Aires: PrometeoLibros, 2010.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. História, memória, literatura: o testemunho na era das catástrofes. Campinas: Editora da Unicamp, 2003.

Publicado
21-12-2021
Como Citar
RIBEIROM. C. S. (2021). A DENÚNCIA DO FEMINICÍDIO POR SELVA ALMADA E FLORITA ALMADA: O REAL E O FICCIONAL. Revista (Entre Parênteses), 10(2), 01-16. https://doi.org/10.32988/rep.v10n2.1514
Seção
DOSSIÊ LITERATURA DE AUTORIA FEMININA EM LÍNGUA ESPANHOLA EM PERSPECTIVA