A escolaridade em 1991 permite prever a renda em 2010? Uma análise de regressão usando dados municipais dos censos demográficos do IBGE

Leda Grasiele Oliveira, Patrícia de Siqueira Ramos, Lincoln Frias

Resumo


Há um consenso em torno da ideia de que a educação é o principal mecanismo de desenvolvimento econômico de um país e também de mobilidade social individual. O objetivo desta pesquisa foi tomar esse consenso como hipótese e buscar evidências empíricas que pudessem confirmar sua veracidade, pois é fundamental que os municípios monitorem a situação educacional de seus cidadãos e planejem políticas públicas de acordo com a situação identificada. Além da análise do coeficiente de correlação, foi utilizada a análise de regressão múltipla para mensurar a associação entre escolaridade e renda. A análise, feita por meio da linguagem R, investigou o estado de Minas Gerais e o Brasil como um todo. A variável explicada – renda – foi avaliada a partir do censo demográfico de 2010, enquanto as variáveis explicativas – indicadores educacionais – foram avaliadas a partir do censo de 1991. Os resultados confirmaram a hipótese de que a escolaridade no ano de 1991 influencia a renda em 2010, denotando, inclusive, que o estado de Minas Gerais pode ser considerado um retrato do Brasil. A confirmação de que os indicadores educacionais são capazes de prever a renda aponta para a importância do investimento em políticas públicas de educação.

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