Juventudes e interseccionalidades
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Palavras-chave

Interseccionalidade. Jovens. Medidas socioeducativas

Como Citar

de OliveiraT., ZucchettiD. T., & Marconatto MarquesP. (2022). Juventudes e interseccionalidades: para (re)pensar as medidas socioeducativas em meio aberto. Indagações Em Educação, 68-83. Recuperado de https://publicacoes.unifal-mg.edu.br/revistas/index.php/indagacoesemeducacao/article/view/1876

Resumo

Este artigo tem como objetivo apresentar as experiências de profissionais, trabalhadoras da política de assistência social, com jovens inseridos no contexto socioeducativo em meio aberto em município na região metropolitana de Porto Alegre/RS. Utilizou a intereseccionalidade como sensibilidade analítica para refletir sobre as práticas na socioeducação e suas implicações nas trajetórias juvenis. O delineamento do estudo foi construído sobre bases teórico-metodológicas decolonias, as quais buscam romper com a colonialidade do saber, do poder e do ser. Como instrumentos de produção e coleta de dados foram utilizados os registros dos atendimentos com os jovens, as mensagens trocadas via whatsapp e as memórias das pesquisadoras. A análise interseccional evidenciou que eles são atingidos pelo cruzamento e sobreposição dos chamados modernos aparatos coloniais, quais sejam: racismo estrutural, capitalismo e patriarcado. A condição de jovem em conflito com a lei e de morador de territórios subalternizados se apresentam como marcadores sociais da diferença e recrudescem suas vulnerabilidades. Ademais, a dimensão pedagógica das MSE é ofuscada pelos lastros punitivos do Código de Menores. Nesse sentido, foi possível identificar através das demandas dos socioeducandos, que as práticas profissionais no âmbito socioeducativo precisam ser repensadas, visto que as atividades nem sempre possuem caráter restaurativo. As vozes insurgentes das juventudes denunciaram que o próprio Estado faz parte da engrenagem opressiva que desumaniza, demoniza e mói corpos jovens nas periferias. 

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