TERRITÓRIOS DE AXÉ E RESISTÊNCIA: UMA ANÁLISE DO ENCONTRO CULTURAL DE MATRIZES AFRICANAS EM ALFENAS-MG SOB A ÓTICA DA GEOGRAFIA CULTURAL
DOI:
https://doi.org/10.29327/243949.6.12-8Palabras clave:
Encontro Cultural, Festividade, Intolerância Religiosa, Alfenas - MG, TerreiroResumen
O presente artigo analisa as manifestações de matriz africana em Alfenas, Minas Gerais, sob a ótica da Geografia da Religião, investigando como o sagrado influencia a organização espacial e a constituição de territórios simbólicos fora dos templos tradicionais. Pautando-se nos pressupostos teóricos da Geografia Humanista Cultural e nos conceitos de espaço sagrado de Zeny Rosendahl, o trabalho examina o Encontro Cultural de Matrizes Africanas de Alfenas como um instrumento de patrimonialização viva, memória e resistência frente ao avanço do racismo religioso e do conservadorismo institucional. A metodologia consistiu em revisão bibliográfica, análise documental de episódios recentes de intolerância mediados por Inteligência Artificial (IA) e discursos políticos no município, além de um levantamento qualitativo de dados empíricos por meio de entrevistas semiestruturadas aplicadas a integrantes de terreiros locais. Os resultados revelam que, embora o Encontro Cultural funcione como um quilombo urbano temporário essencial para o fortalecimento da identidade e do pertencimento afro-brasileiro, a concessão de uma única data anual por parte do poder público e a invisibilização de práticas fundamentais, como a Marcha com Exu configuram mecanismos de segregação institucional. Conclui-se que a salvaguarda efetiva do patrimônio imaterial exige a superação de políticas de mera tolerância temporária, demandando ações governamentais permanentes de proteção, fiscalização e educação para assegurar o direito irrestrito à cidade e à liberdade de culto.
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