PAISAGEM, TERRITÓRIO E IDENTIDADE EM NAS ÁGUAS DO TEMPO: UMA LEITURA GEOGRÁFICA DO RIO EM MIA COUTO
DOI:
https://doi.org/10.29327/243949.6.12-10Palabras clave:
Literatura, Paisagem Cultural, Território, Memória, IdentidadeResumen
O presente artigo analisa o conto “Nas águas do tempo”, de Couto (2016), investigando como a narrativa articula a reconstrução identitária e a salvaguarda da memória no cenário pós-colonial moçambicano. A investigação estabelece um diálogo transdisciplinar entre a crítica literária, a antropologia e a geografia cultural, tomando as reflexões de Elias Netto (2016) sobre a simbologia das águas como intertexto fundamental. Partindo da premissa da literatura como um direito fundamental e instrumento de humanização, o estudo discute a importância do fazer literário na organização do caos interior e na manutenção de vínculos ancestrais. O aporte teórico integra conceitos de experiência, lugar de memória e fenomenologia da paisagem e do território aos processos de sutura identitária. A metodologia consiste em uma pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico e análise textual interpretativa. Os resultados revelam que o rio, na obra analisada, transcende a dimensão física para converter-se em um “arquivo vivo” e sagrado, configurando-se como paisagem cultural, onde tempo e água se entrelaçam como dimensões indissociáveis. Conclui-se que a narrativa configura um aprendizado do olhar que permite habitar a paisagem e reconhecer uma ancestralidade perene na relação entre sujeito e espaço.
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