A ROTA DA SEDA NA PERSPECTIVA DE IBN BATTUTA: VIAGENS, CONEXÕES E CULTURAS NO MUNDO MEDIEVAL
DOI:
https://doi.org/10.29327/243949.5.10-3Palavras-chave:
Rota da Seda, Ibn Battuta, Comércio afro-euroasiático, Mundo Islâmico Medieval, Expedições portuguesasResumo
Este artigo analisa a Rota da Seda sob a perspectiva de Ibn Battuta, destacando o papel das rotas terrestres e marítimas na integração afro-eurasiática. O monopólio árabe-muçulmano, desde o século VII, consolidou não apenas o comércio, mas também a circulação de saberes e práticas culturais, transformando o mundo islâmico em centro irradiador de ciência, religião e poder político. A Europa, em contraste, vivia relativa estagnação após a queda de Roma, retomando contato com o Oriente sobretudo nas Cruzadas. Veneza e Gênova assumiram a intermediação, reforçando a dependência europeia e os altos custos. As viagens de Ibn Battuta revelam a vitalidade desse sistema e a amplitude das conexões entre África, Oriente Médio e Ásia. A busca por rotas alternativas culminou nas expedições portuguesas do século XV, que romperam o monopólio árabe-italiano. O contorno do Cabo da Boa Esperança e a chegada à Índia inauguraram um novo sistema global de trocas, fazendo da Rota da Seda um fenômeno civilizacional de longa duração.
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