TRANSGLOBALIDADE, COSMOPOLITISMO E INOVAÇÃO COMO LINGUAGENS DA ESCOLA EM TEMPO DE CRISE
Capa da Revista Indagações em Educação
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Palavras-chave

Transglobalidade; Cosmopolitismo; Inovação.

Como Citar

José Augusto Pacheco, & Ila Beatriz Maia. (2021). TRANSGLOBALIDADE, COSMOPOLITISMO E INOVAÇÃO COMO LINGUAGENS DA ESCOLA EM TEMPO DE CRISE . Indagações Em Educação, 1(1), 01-15. Recuperado de https://publicacoes.unifal-mg.edu.br/revistas/index.php/indagacoesemeducacao/article/view/1615

Resumo

Soprando ventos globalizados de contradição, com o objetivo de tornar mais comum a sociedade, num processo de múltiplas uniformidades, o cosmopolitismo surge como princípio que pode contribuir para o pensar e agir dos sujeitos em instituições de educação e formação, desde a educação infantil até ao ensino superior. Daí que, numa análise das linguagens que hoje coexistem no ambiente das escolas, seja referida a atitude cosmopolita docente (PACHECO, 2018), orientada para a inclusão, diversidade e equidade, em que a subjetividade é algo que não faz da educação um mero processo de aquisição de conhecimentos, capacidades e atitudes, mas um projeto de realização pessoal, na exploração das ideias de Dewey (1902/2002). Para se conseguir esta atitude cosmopolita, a linguagem da inovação, juntamente com outras, caso das tecnologias digitais, está bem presente nas políticas educacionais, ainda que tenha sido perspetivada mais na procura de um alinhamento curricular com processos de melhoria (FULLAN, 2015) do que no registo de um acontecimento (ŽIŽEK, 2017), que se torna único, espontâneo e não suscetível de ser transformado em regras, que têm alimentado a gramática da escola, isto é, uma escola em crise pelos comuns organizacional, curricular e pedagógica que têm sido marcantes nos últimos dois séculos (LABAREE, 2012; TYACK; CUBAN, 1995).

Palavras-chave: Transglobalidade; Cosmopolitismo; Inovação.

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